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Em dia de agenda pouco movimentada, IGP-M e Caged são destaques do mercado brasileiro nesta quarta (27)

Representação dos gráficos mercado
Fonte: FreePick

Bom dia, pessoal. Neste momento tranquilo do calendário econômico, os mercados internacionais se inclinam sutilmente para um otimismo cauteloso, principalmente na Europa e nos futuros do mercado americano. A agenda desta quarta-feira não traz grandes destaques, exceto pela observação da inflação ao consumidor na Espanha de março, que promete um leve aumento geral e uma sutil diminuição na inflação subjacente. Simultaneamente, a Suécia tem em pauta a definição de suas taxas de juros, sem esperar grandes desvios na sua política monetária atual, embora as recentes ações do Banco Nacional Suíço possam sutilmente influenciar decisões futuras.

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Os mercados asiáticos, refletindo a recente retração de Wall Street, lidam com a consolidação dos ganhos no setor tecnológico e a antecipação por dados cruciais de inflação e discursos do Federal Reserve. Palestrantes de bancos centrais, especialmente do Banco Central Europeu, devem se manifestar hoje, trazendo perspectivas valiosas. No cenário das commodities, o petróleo recua, deixando para trás a marca dos US$ 86 o barril, enquanto o minério de ferro demonstra volatilidade, aproximando-se novamente dos US$ 100 por tonelada após uma breve recuperação.

A ver…

· 00:54 — Eu sigo preocupado com o quadro fiscal brasileiro

Ontem, o Ibovespa encerrou o dia sem uma direção clara, refletindo um ambiente de prudência no panorama global dos mercados. O índice principal da bolsa de valores brasileira registrou uma leve queda de 0,05%, situando-se em 126.863 pontos. Essa reação dos investidores veio na esteira das revelações da ata do Copom e dos dados do IPCA-15 de março, ambos apontando para um cenário inflacionário persistente que pode influenciar a desaceleração no processo de redução da taxa Selic. A performance do Ibovespa também foi influenciada negativamente pelas ações da Vale e da Petrobras, que sofreram com a baixa dos preços do minério de ferro e do petróleo no mercado internacional. Este padrão pode continuar hoje, diante da nova desvalorização dessas commodities. Para o dia de hoje, a agenda econômica prevê a divulgação do IGP-M de março e dos dados do Caged de fevereiro.

Por outro lado, a publicação da ata do Copom de ontem não alterou a minha previsão para a taxa Selic ao término do ciclo de ajustes. Mantenho a perspectiva de que uma Selic final de 9% ainda é viável, apesar do ambiente de maior cautela. O cenário externo, incluindo as políticas monetárias de nações desenvolvidas e emergentes, juntamente com o contexto interno, marcado por um quadro fiscal complexo e uma inflação resiliente, apresenta desafios adicionais ao Banco Central. Este, por sua vez, optou por não intensificar o debate com o governo e não fez uma ligação direta dos desafios locais ao ambiente fiscal. Tal postura se justifica; Roberto Campos Neto tem colaborado estreitamente com o governo na busca por aumentar a independência do Banco Central, tornando inoportuno qualquer confronto com o presidente Lula neste momento. Contudo, o próprio ministro Haddad reconheceu que a meta fiscal para o próximo ano poderá ser inferior a 0,5% do PIB, refletindo a complexidade do equilíbrio necessário entre as metas fiscais e a autonomia política monetária.

· 01:49 — Se preparando para um início de abril barulhento

Nos Estados Unidos, um movimento de vendas nos momentos finais do pregão de ontem pressionou os principais índices do mercado de ações para o território negativo, interrompendo o ímpeto inicialmente positivo. A reversão não foi desencadeada por um único fator determinante, mas sim por uma certa apreensão com relação ao período de intensa atividade que se aproxima. Atualmente, o mercado encontra-se em uma fase de incerteza, sem uma direção clara, enquanto os índices flutuam perto de seus níveis recordes, às vésperas da divulgação do índice de preços para gastos com consumo pessoal (PCE) de fevereiro, a medida preferencial do Fed para avaliar a inflação.

A semana atual, mais curta devido ao feriado, antecede uma enxurrada de dados relevantes na primeira metade de abril, incluindo número sobre o emprego e o índice de preços ao consumidor, ambos de março. As minutas da última reunião do Fed e uma nova decisão de política monetária do Banco Central Europeu também estão no radar, mantendo os investidores atentos ao panorama macroeconômico até o início da temporada de resultados do primeiro trimestre, com os principais bancos americanos divulgando seus números a partir de 12 de abril.

Para a temporada, a expectativa é que o crescimento dos lucros desacelere em comparação com o desempenho robusto observado no final de 2023. O lucro por ação das companhias do S&P 500 cresceu 10% ano a ano no quarto trimestre, acompanhado por um aumento de 4% na receita, um resultado que dobrou as previsões dos analistas semanas antes da divulgação dos números. Para o primeiro trimestre de 2024, projeta-se um avanço de 5% no lucro por ação para as empresas do S&P 500, antecipando-se que este seja o ponto de menor crescimento do ano, seguido por uma recuperação nos trimestres subsequentes.

· 02:35 — Bomba relógio

O diretor do Congressional Budget Office (CBO) dos Estados Unidos lançou um alerta sobre a trajetória de crescimento da dívida nacional, traçando um alarmante paralelo com a crise financeira brevemente enfrentada sob a liderança de Liz Truss no Reino Unido. Embora os Estados Unidos possam, teoricamente, gerir uma razão dívida/PIB de até 150% ou 200%, a aceleração do endividamento suscita dúvidas sobre a capacidade futura do país em honrar seus compromissos financeiros. A estrutura de divisão de poderes e a intensa polarização política complicam esforços de reequilíbrio orçamentário, visto que legisladores tendem a inflar o orçamento com medidas que beneficiam diretamente seus eleitores. Essa dinâmica tem transformado os impasses orçamentários e paralisações governamentais (shutdowns) em eventos recorrentes.

Larry Fink, CEO da BlackRock, qualifica o atual cenário da dívida americana como o mais crítico que já presenciou, sugerindo que a única saída para prevenir uma crise seria um crescimento econômico real de 3% ao ano durante a próxima meia década. Contudo, alcançar tal crescimento é desafiador diante do envelhecimento da força de trabalho americana. Desde o início da pandemia, os Estados Unidos acumularam mais de US$ 11 trilhões em novas dívidas, agravando o cenário com as taxas de juros que o Tesouro Nacional precisa desembolsar por essa dívida. Historicamente, o governo refinancia dívidas antigas através da emissão de novos títulos do Tesouro, mas há incertezas sobre a continuidade do interesse dos investidores em absorver um volume tão grande de títulos e às taxas atuais. Um dos riscos latentes é a economia dos EUA enfrentar um destino similar ao do Japão nos anos 1990, marcado por períodos de austeridade e estagnação econômica, dificultando ainda mais o controle da inflação.

· 03:21 — Problemas logísticos

Na madrugada de ontem, Baltimore enfrentou um grave incidente com a morte de pelo menos seis pessoas, seguindo a colisão de um navio porta-contêineres que ficou sem energia e atingiu a ponte Francis Scott Key, resultando em sua destruição significativa. A embarcação, que tinha como destino o Sri Lanka, permaneceu à deriva, enquanto a ponte de 2,5 km veio abaixo rapidamente, arrastando para as águas do rio Patapsco tanto operários da construção quanto veículos em trânsito noturno. O desastre, ocorrido em uma via crítica para o comércio marítimo, promete repercutir vastamente, afetando a economia local e as cadeias de suprimentos globais, com efeitos previstos para durar semanas. A ponte, além de ser uma estrutura vital para o transporte, conectando a rodovia I-695 e dividindo as águas próximas ao porto de Baltimore do oceano, é essencial para o fluxo marítimo. Enquanto permanecerem os escombros, será necessário redirecionar o tráfego marítimo do porto intensamente ativo.

O impacto humano do incidente poderia ter sido ainda maior. Baltimore se destaca há tempos como o principal porto dos EUA para a importação e exportação de automóveis, com cerca de 850 mil veículos tendo passado por lá no ano passado. Alguns fabricantes de veículos já sinalizaram o uso de portos alternativos, contudo, possíveis demoras na entrega de componentes poderiam comprometer as cadeias de abastecimento do setor automobilístico, notoriamente dependente de prazos apertados. Sendo o porto mais próximo do Centro-Oeste na Costa Leste, também é o maior ponto de escoamento para máquinas agrícolas e produtos agrícolas do país. Estima-se que até 2,5 milhões de toneladas de carvão, milhares de veículos da Ford Motor e General Motors, bem como cargas de madeira e gesso, enfrentem riscos de interrupção. A reconstrução da ponte é um processo que pode se estender por anos.

· 04:13 — A questão previdenciária

Larry Fink, o bilionário cofundador e CEO da BlackRock, enfatizou em sua carta anual aos investidores uma preocupação que tem sido discutida aqui repetidamente: a improbabilidade de as gerações futuras conseguirem se aposentar. No documento, Fink aborda a necessidade urgente de governos e corporações se debruçarem sobre a escalada da crise previdenciária. Ele atribui parte da responsabilidade à geração dos baby boomers (sua própria geração), que, segundo ele, priorizou seu bem-estar financeiro em detrimento das futuras gerações. Agora, o desafio é monumental. 

Nos Estados Unidos, por exemplo, dados de uma pesquisa conduzida em 2022 revelam que aproximadamente 50% dos cidadãos entre 55 e 65 anos não possuem qualquer reserva financeira destinada à aposentadoria. A situação é ainda mais crítica em nações em desenvolvimento, como o Brasil. São necessárias reformas significativas nos sistemas de previdência, incluindo a transição para regimes de capitalização e o aumento da idade mínima para aposentadoria. Caso os EUA não promovam ajustes em seu modelo atual, enfrentarão a exaustão dos fundos destinados ao pagamento de benefícios já em 2034. O debate não pode ser mais adiado.

· 05:07 — Em defesa dos ETFs

A classe de Exchange-Traded Funds (ETFs) nos Estados Unidos destaca-se por sua vastidão, com milhares de ETFs operando e atingindo um valor de mercado aproximado de US$ 7 trilhões, superando em várias vezes o PIB do Brasil, por exemplo, estimado em cerca de US$ 2 trilhões. Essa robustez é reforçada pela natureza aberta dos ETFs, que permite fluxos flexíveis de investimentos, diferenciando-os significativamente no mercado financeiro. Até o término de 2023, a participação dos ETFs na indústria de fundos nos EUA alcançou uma expressiva marca de mais de 20%, evidenciando uma preferência marcante por esses instrumentos…

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